Comprei um diário. Um caderno, na verdade. Estava com plástico, não pude abri-lo na loja. Quando cheguei em casa, vi que suas pautas são em formatos de quadradinhos, todo cruzado. Cada letra cabe dentro de um quadrado.
Na hora, refleti: - claro, adoramos crises. Diário é cuidar de si, prática meditativa, logo, diário é igual a despejo de crises e reflexões sobre mim.
Chamei este caderno de "diário das quadraturas".
Em Astrologia, o aspecto chamado "quadratura" é um ângulo de 90º graus formado entre planetas e representa tensão, crises, conflitos, lições, dificuldades. É como se existissem danças sincronizadas, danças com cânone e danças discrepantes, como uma verdadeira competição entre astros, tentando encontrar harmonia e fluidez.
Em meu mapa natal, eu tenho muitas muitas quadraturas e oposições. Sempre envolvendo dificuldades de me encontrar. Lições vindas de relacionamentos amorosos. Amores platônicos. Projeções desnecessárias... Várias paixões desnecessárias. Só para eu me sentir viva. Mas como é necessitar de algo tão patológico para sentir que está vivo? Pathos... paixão... sofrimento.
08 de agosto de 2020 escrevi:
"Vinho. Queijo. 15º C. Chegamos à conclusão de que todas as mulheres da nossa família perecem de amor. Tornaram-se infelizes em seus casamentos. Inclusive, as que mulheres lésbicas. Infelizes também. Apáticas. Resumo da ópera: independência e propósito pessoal. Sexo quando der, pênis não é tudo."

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