terça-feira, 25 de maio de 2021

25 de agosto de 2020

Penso que estou vivendo um período mais contemplativo. Não me vejo mais me satisfazendo com sexo casual. Acho que a ilusão tem caído por terra. Para que sexo casual? Os ciclos se repetem. Mais ou menos seguindo essa dramaturgia:

Cena 1, ato único

Personagens: 

Fulano e Emanuelle 

(Luz, foco em mim:)

EMANUELLE: -Olá, fulano, como você me agrada. 

FULANO: -Olá, Emanuelle. Vamos tomar um vinho?

EMANUELLE: -Sim, que dia?

FULANO: - Pode na sexta? 

EMANUELLE: -Claro. 


Cena 2 

(É sexta-feira. Personagem Emanuelle sai do salão, compra calcinhas novas, na cor preta. Vestido tubinho preto.)

FULANO: -Estou passando aí, Manu. Pode ir descendo. 

Cena 3: 

(Luz em resistência.) 

FULANO: -Gostosa! Sua pele... blablabla 

EMANUELLE: -Você me deixa louca ... blablabla 

Cena 4:

(No outro dia, acordam):

 FULANO: -Bom dia! Vamos indo porque tenho que adiantar umas coisas. ..

...

Luz cai em resistência. Fim. 

Mas também por que tem que ter apego? Eu também caio em resistência. 

Não importa o contrato que existe, todos sofremos. É inevitável a insatisfatoriedade. 

Por isso o que é melhor a se fazer é... 

trepar. Trepar. Trepar.


24 de agosto de 2020

 Sonho que vou para Macarani encontrar J. Entramos num lindo rio, todo coberto por uma floresta, como um pântano, mas águas claras, porém com sombra. Rimos, nos abraçamos. Até que avistamos um lagarto. Ele grita: -Corre!

Eu vou para a beira do rio. Era uma mulher-lagarto. Belíssima, nua. Ia me infectar com seu sangue. Sua língua é de lagarto. Corta. Sinto que ele ia me salvar. 

Acordo. 

Volto a adormecer.

Sonho com lavandas. Lavandas. Lavandas.

Excelentes presságios.

No rio, um homem remava um barquinho ao contrário da minha direção. 

Sempre J. em meus sonhos, em minha vida. Sempre rodeada pela possibilidade de revivermos nosso romance da forma como construí em meu ideal de amor. O mais engraçado é que ele ocupa e sabe alimentar meu romantismo. A dose exata que me afaga, me acalenta. Converso com meus terapeutas de plantão. Ele ocupa o lugar de pai em minha psique, isso eu já sabia. O jeito de calçar o sapato. Deixar os calçados fora de casa, um banco para se sentar, o cruzar das pernas, até o ritmo do movimento de dobrar cadarço, a cabeça levemente inclinada, a morosidade por conta da protuberância da barriga que atrapalha inclinar-se melhor. Meu Deus, meu sonho é ter meu pai só para mim, é isso? Acabo de descobrir um desejo incestuoso. J. é painho. O cheiro no cangote, o cabelo ralo na cabeça, o formato da barriga, o caminhar como se tivessem uma perna maior do que a outra, como que bambeando de um lado para o outro. 

O senso de humor, o mesmo posicionamento de Mercúrio na carta natal. O mesmo partido político! O mesmo tom autoritário, as frases machistas, até o gosto por raparigas! Amam a putaria. Amam putas, botequins, cachaça, mentiras. Cercam-se delas, porque têm a necessidade de viver esse mundo à margem, como se fossem o "salvador". Até as perdas financeiras e materiais, eu tinha que escolher alguém com história de vida semelhante. 

Eu só enxergo meu egoísmo. Não posso desejar ter meu pai. É errado.

Vago. 

Agora entendi tudo. Por isso não posso tê-lo. Por isso nunca irei consumir esse amor romântico. É esse lugar que J. ocupa. 

Muito além, porque me fode. Pai não fode filho. 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

23 de agosto de 2020

 Nem acredito que ontem estava inspirada para a escritura da dissertação. 

Conversei com Marcela antes de dormir. Listamos todos os casos que tive (interessante, escrevi caos, erroneamente, mas é verdade. Caso, caos, acaso.). Nenhum me iludiu. Eu me iludi. Minha felicidade está suspensa com esses aí, mas ainda assim acredito no amor, assim como Anaïs Nin lavrou e deu fé: "o amor reduz a complexidade da vida.".(p. 169 de Henry e June).

O sexo com J.P., sei que seria eterno. Ele não quer assumir ninguém. E sei que gosta de me foder. Fica muito excitado quando chego. 

Mas quero mais do que isso. (penso que deveria trocar as iniciais...)

Meu Deus, estou aqui refletindo. Meu objeto de estudo, um processo autoficcional. Um movimento autoetnográfico. Não sei se quero que saibam o que pesquiso. Só o pessoal vinculado à minha vida acadêmica. 

Meus ex-namorados vão pro caixão sem saber que os profiro amor eterno aqui. Aliás, só por um. Ah! Voltando para o diário das quadraturas... Em 2010 ele, J.P. dizia (eu encontrei um diário 2009-2010) que nosso sexo era transcendental, parafraseando o próprio senhor das sombras, o J.P. 

Dificilmente ele se excita com outra mulher. Pois é. Eu acredito. É de escorpião, Vênus e Marte em Escorpião, vive no submundo das suas próprias sombras. É o deus Hades, eu seria Perséfone, só que não tenho muito tempo para perder, não sou eterna. 

Nada nele me faz falta. Às vezes a amizade. Conexão de amigos. 

É frio, egoísta. Não me oferece um café expresso sequer. Eu, deixar de ficar na casa da minha mana Marcela, que me trata igual uma rainha, para satisfazer macho incompreendido ferido por sua própria masculinidade falha? Ou melhor, sua virilidade falha.  Mais nunca. Mereço verdade. 


 

22 de agosto de 2020

 Hoje acordei melhor. A dor foi espiritual. Conversei com tia Wanda de manhã, compreendi o que devo fazer. 

Will é outro amigo que me ajuda muito. Me ensina a ter fé. Tenho muito afeto. 

Meu pensamento do dia: que todos os seres nunca sofram. 

Sofrimento do dia: boca faminta. Fantasmas famintos. Desejo insaciável. Não sei qual alimento. 

...


Ainda 21 de agosto de 2020

 Um dos Is. de que penso que desejo. Um é I. F. o outro é I. B. 

O sujeito I. B. eu tive um ensaio pandêmico, né? Tivemos uma relação afetiva com episódios de sexo e café expresso. Sexo e chocolatto. Sexo e carona. Sexo e hum... deu saudade de namorar nos 18º C do inverno conquistense, não com ele, com a ideia que construí entre abril a junho. 

O I. F. é uma criação da minha cabeça. Pisciano, errante, sonso, deve ter medo de brochar quando se aproxima de uma mulher. Muito eu, sensível, só que com pênis. Um estímulo de um possível antigo amor que logo após eu interpretaria mal... de amar como uma criança. Muito estranho isso. Sim. Isso diminui a minha paixão. 

Sonho que recebo mensagem de I.F. Vou até deixar o registro: mensagem de WhatsApp, para que um dia ache tão estranho esse espaço digital quanto um dia foi receber "testimonial" em Orkut. Outro dia li um diário de 2009. (risos). Conversas de messenger, conversas de Orkut, SMS e ligações pela madrugada. Várias. Com J.P. 

Vejo semelhanças entre o Eu solitária-sem-paixão e o Eu apaixonada-perdida: vejo nossa admirável capacidade de suportar a dor quando amamos, nossas naturezas manipuláveis. No fundo é apenas um desejo de realização. Nada mais. 

Por que nunca me envolvi com homens bons? Eu sou um lixo? 


21 de agosto

 Live sobre Viewpoints. Eu sinto tanta falta da sala de ensaio. De trabalhar a improvisação a partir da arquitetura, do corpo, do espaço, e agora, que estou na semiolinguística; arquitetura dos imaginários sociodiscursivos. Meu corpo é meu discurso, meu e de todo mundo, pois corpo é social. Também. 

Na live, citaram as técnicas orientais. Como se tivessem descoberto a roda. 

Citaram o tai chi chuan. Citaram o zen. 

Como se tivessem descoberto a roda. 

Tomei uma taça de vinho dando formas eróticas aos pensamentos. Pensamentos plásticos, com cheiros, com textura mesmo. Pensamento com nome de homem. De um. Infeliz. 

Essa relação de amor e ódio aos homens, Anais Nin sempre me responde em Henry & June. É uma eterna comparação. Ela lá, nos anos 30, 40, tinha um grito de provocação sobre lugares do feminino e do masculino mesmo em suas ficções e em suas autobiografias, e até hoje, parece que ainda estamos nos anos 30. Amor e ódio pelo que os homens limitam em nós. Eles que dão as regras do jogo. Eles que são audaciosos. Eles que escolhem o tempo deles. 

Nojo de I. B. 

Eca. 

Live de viewpoints. Falamos muito sobre o conceito de foco suave. Soft focus na vida. Soft paus. Soft picas. Soft rolas murchas e duras e pequenas e quânticas. Eles se acham demais. 

Pausa para um pensamento sobre um furto. Furtei algo de uma pessoa morta. Não tenho coragem de dizer o quê aqui. Tem relação com a questão em si, com os pontos de vista. Roubei um pont of view de uma pessoa desencarnada, e vejo toda minha criação com seus olhos de fóssil. 

Entre a confissão e o jogo [erótico]. 



07 de setembro de 2020

 Sonho viajando. Vejo estrada. Asfalto.  Vejo o mar. Sonho que estou em Macarani, numa mesa com J. e uma amiga. Falamos de política. Vejo pa...