quarta-feira, 28 de julho de 2021

05 de setembro de 2020

 Anaïs exalta tanto seu amor (platônico) por Henry Miller, que estou pensando em tornar esse desejo uma performance. 

Ler Anaïs Nin, em tempos de pandemia, e em "tempos de cólera" no isolamento é uma experiência de fato a temporal. Falamos tanto em metodologia da pesquisa sobre o olhar anacrônico, sobre sua escrita atemporal. Sim, porque não importa a época, seus desejos são os motes de sua autoficção. De sua autobiografia. Ainda assim é sobre aqui e agora, sua coragem para narrar esses desejos, sua persistência em acreditar no amor romântico. Não sei se o amor romântico está morto. 

Assistindo a um vídeo sobre o amor romântico, apresentado por alguma psicanalista em algum canal no Youtube, essa defende sua morte. Não acho que tenha morrido, acho que esteja se configurando em outros modos de viver. Será o amor romântico um saber de crença? Ancestral e líquido. Mais do que líquido; plasma. Não se pode atravessar, ele nos atravessa. Não o vemos, ele nos escolhe. Como um estado. 

Penso no solo. "Cartas para Anaïs Nin"

Direção: Eu mesma. Emanuelle Nascimento 

Cenário: Dentro de casa. (Poderia ser um evento, site specific, performance de apartamento)

A metodologia da sala de ensaio: Dança-teatro; Teatro Físico. Brincar com a arquitetura do cômodo que eu escolher. A poética do espaço toda dirigida para esse amor romântico que construímos em nossa psique. Amor romântico é arquétipo. É o que dá gás. Movimento. Romantizamos nosso trabalho, romantizamos nossas relações. Quem não encontra esse norte cai em um processo de apatia. 




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