terça-feira, 25 de maio de 2021

24 de agosto de 2020

 Sonho que vou para Macarani encontrar J. Entramos num lindo rio, todo coberto por uma floresta, como um pântano, mas águas claras, porém com sombra. Rimos, nos abraçamos. Até que avistamos um lagarto. Ele grita: -Corre!

Eu vou para a beira do rio. Era uma mulher-lagarto. Belíssima, nua. Ia me infectar com seu sangue. Sua língua é de lagarto. Corta. Sinto que ele ia me salvar. 

Acordo. 

Volto a adormecer.

Sonho com lavandas. Lavandas. Lavandas.

Excelentes presságios.

No rio, um homem remava um barquinho ao contrário da minha direção. 

Sempre J. em meus sonhos, em minha vida. Sempre rodeada pela possibilidade de revivermos nosso romance da forma como construí em meu ideal de amor. O mais engraçado é que ele ocupa e sabe alimentar meu romantismo. A dose exata que me afaga, me acalenta. Converso com meus terapeutas de plantão. Ele ocupa o lugar de pai em minha psique, isso eu já sabia. O jeito de calçar o sapato. Deixar os calçados fora de casa, um banco para se sentar, o cruzar das pernas, até o ritmo do movimento de dobrar cadarço, a cabeça levemente inclinada, a morosidade por conta da protuberância da barriga que atrapalha inclinar-se melhor. Meu Deus, meu sonho é ter meu pai só para mim, é isso? Acabo de descobrir um desejo incestuoso. J. é painho. O cheiro no cangote, o cabelo ralo na cabeça, o formato da barriga, o caminhar como se tivessem uma perna maior do que a outra, como que bambeando de um lado para o outro. 

O senso de humor, o mesmo posicionamento de Mercúrio na carta natal. O mesmo partido político! O mesmo tom autoritário, as frases machistas, até o gosto por raparigas! Amam a putaria. Amam putas, botequins, cachaça, mentiras. Cercam-se delas, porque têm a necessidade de viver esse mundo à margem, como se fossem o "salvador". Até as perdas financeiras e materiais, eu tinha que escolher alguém com história de vida semelhante. 

Eu só enxergo meu egoísmo. Não posso desejar ter meu pai. É errado.

Vago. 

Agora entendi tudo. Por isso não posso tê-lo. Por isso nunca irei consumir esse amor romântico. É esse lugar que J. ocupa. 

Muito além, porque me fode. Pai não fode filho. 

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07 de setembro de 2020

 Sonho viajando. Vejo estrada. Asfalto.  Vejo o mar. Sonho que estou em Macarani, numa mesa com J. e uma amiga. Falamos de política. Vejo pa...